O Casamento de Romeu e Julieta: Uma redação sobre o filme e o tema da rivalidade.

In this review, Laura Deering looks at a Brazilian adaptation of a very old British story: that of Romeo and Juliet. By analysing ‘The Wedding of Romeo and Juliet’, (Barreto, 2005) Deering comes to underline the timeless theme of the ‘invisible enemy’ which has been translated into a Brazilian setting.
1

‘O Casamento de Romeu e Julieta’ (2005) é um filme brasileiro. Como o nome sugere, tem ligações notáveis com a famosa peça de William Shakespeare: Romeu e Julieta. Sem dúvida, a semelhança mais forte é o fato de ambas as histórias se basearem no mesmo tema: o tema do amor proibido.

O filme passa-se em São Paulo, no Brasil. Desenrola-se durante o ano de 1999 e centra-se nos dois protagonistas: Romeu e Julieta. Durante a trama, os dois apaixonam-se, mas, há um problema enorme: Julieta é uma torcedora da equipe de futebol Palmeiras e Romeu é torcedor da equipe de futebol Corinthians – duas equipes tidas, tradicionalmente, como grandes rivais e intensos inimigos. Portanto, Romeu e Julieta têm que guardar o segredo da rivalidade desportiva de suas famílias (sobretudo do pai de Julieta, e do avô de Romeu porque os dois são fanáticos). E, como se poderia esperar, este fato tem sérias consequências…

A princípio, este filme não parece muito profundo. Parece apenas abordar o tema do futebol, um tópico que poderia ser descrito como banal. Mas, se o analisarmos com mais atenção, poderíamos na realidade  dizer que este filme levanta uma questão bastante importante: precisa o ser humano ter ou inventar um inimigo para se afirmar?

Em resposta a esta questão, eu diria que sim: o ser humano necessita de um adversário e acho que há evidências em qualquer parte da vida para justificar tal opinião.

Por exemplo, a nível pessoal, cada vez que fazemos algo errado no que diz respeito aos valores morais, temos a tendência enquanto seres humanos de culpar ‘a má consciência’ — esse demônio pequeno que se senta no ombro. Cada vez que fazemos algo incorreto no que diz respeito ao trabalho, costumamos responsabilizar os instrumentos, as ferramentas, o cansaço — ou qualquer outro problema externo.

Além disso, em família, há frequentemente rivalidades entre irmãos, uma vez que um certo nível de competição é essencial para o desenvolvimento e o amadurecimento das crianças.

Além disso, quando analisamos a vida universitária ou escolar, a existência de ‘instituições inimigas’ é inegável. As instituições acadêmicas precisam de inimigos para que possam nutrir um espírito de grupo, uma causa comum, um sentimento central em torno do qual cada estudante possa se reunir.

No contexto mundial, a criação de inimigos acontece ainda na esfera das nações e da política internacional, exatamente pelas mesmas razões. Pensem na rivalidade entre os Estados Unidos e a União Soviética, por exemplo. Esta rivalidade é histórica e enraizada, envolvendo vingança. Embora tenha emergido durante os anos do Comunismo, perpetua-se apesar do fim da Guerra Fria — o ódio continua. É claro que há explicações legítimas para justificar este antagonismo. Porém, é essencial perguntar-se: será que os dois países continuam com tal animosidade simplesmente porque seria mais fácil culpar um país estrangeiro do que olhar para dentro de seu próprio país e admitir as falhas e os defeitos de sua própria pátria? No geral, será que este raciocínio também explicaria a existência perpétua de inimigos e rivalidades em todos níveis? Eu diria que sim.

 

Would you like to review a film for our Portuguese section? Let Anna know at glossa.portuguese@gmail.com.

 

Photo Credit: natv.ig.com.br
Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s